Só as utopias mediadas pela realidade apontam futuros.
É no encontro entre formas diferentes de sonho
que se constitui uma inscrição de eficiência,
como também harmonias entre Cultura e Natura.
Muito simplesmente
espera-se que o ideal de uma empresa
e o empenho do exercício interdisciplinar
contribuam para activar utopias.
Estamos todos preocupados com a mudança do clima e agora temos uma oportunidade de ter um papel decisivo para que se tomem medidas sérias a este respeito.
No dia 24 de Outubro deste ano, a 350.org está a organizar um gigantesco dia de eventos a nível global com o objectivo de pressionar os políticos a tomarem medidas efectiva de modo a que regressemos às 350 partes por milhão de CO2 na atmosfera – o número que os cientistas concordam ser um nível seguro para a poluição climática na nossa atmosfera.
Com o conjunto de iniciativas que estão já preparadas, o dia 24 de Outubro pode muito bem vir a ser o mais abrangente dia de acção climática de sempre. Existem já 1400 eventos agendados em mais de 100 países do mundo. O que a 350.org propõe é a realização de um evento público qualquer que mostre que as pessoas se preocupam de facto com a mudança climática. Ajudará imenso a atingir os nossos objectivos se pudermos dizer que pela primeira vez, pessoas em todos os países do mundo estão unidas em torno do mesmo objectivo e a exigir a mesma acção. Muitos decisores não sabem que existe um movimento sobre o clima realmente global e por isso não sentem uma pressão para fazer um acordo eficaz nas Reuniões sobre o Clima das Nações Unidas que se realizarão em Copenhaga neste Dezembro. É por isso que no dia 24 de Outubro pretendemos mostrar junto da imprensa como este movimento é abrangente e forte.
A Herdade do Freixo do Meio integrou este movimento e vai organizar uma iniciativa, de entrada livre e gratuita, no dia 24 de Outubro para a qual convida todos aqueles que queiram participar. Desta forma pretendemos chamar a atenção da imprensa e dos políticos que terão um papel fundamental nas Reuniões sobre o Clima das Nações Unidas em Copenhaga, através da realização das seguintes acções:
Ø 10h - Plantação de 350 sobreiros e azinheiras (estas são importantes fixadoras de carbono, retirando-o da atmosfera). O número de árvores é simbólico pois continuaremos a plantar árvores nos dias seguintes.
Ø 12h30h – Faremos um 350 humano para registar a nossa acção e que será fotografado do ar.
Ø 13h – Almoço de pique-nique (trazido pelos participantes) no Eco-camping junto à albufeira e prova do Cozido, cozinhado em panelas de barro e em lume de chão, confeccionado com os produtos biológicos do Freixo do Meio (gratuito).
Ø 15h – Inauguração do Eco-camping do Freixo, com explicação das técnicas de construção utilizadas e de como estas protegem o ambiente.
Ø 16h – Debate sobre as Reuniões sobre o Clima das Nações Unidas que decorrerão em Copenhaga no mês de Dezembro.
Estão todos convidados, miúdos e graúdos, a aparecer no dia 24 de Outubro – sábado, pelas 9h30, em Foros de Vale Figueira, na Herdade do Freixo do Meio, junto ao campo da bola, para passar um dia em cheio.
Juntos, podemos fazer do dia 24 de Outubro um dia para mudar o rumo do nosso planeta.
*
Mais informações em http://www.350.org/pt.
O movimento 350.org é uma organização internacional sem fins lucrativos que tem por objectivo criar um movimento global sobre o clima, unidos pelo mesmo apelo à acção. Disseminando o conhecimento das bases científicas e uma visão partilhada de uma política justa, procuramos garantir que o mundo crie soluções corajosas e igualitárias para a crise climática. O 350.org é um projecto independente e sem fins lucrativos.
Ana Maria Fonseca
Folha do Freixo nº2 – Herdade do Freixo do Meio
Publicado Julho 6, 2009 Freixo do Meio Leave a CommentWORKSHOP PENSARMONTADO II
Herdade do Freixo do Meio
31 de Maio de 2009
PARTE 1 – PENSAR MONTADO
Tivemos o prazer de visitar a Herdade no dia 31 de Maio, por convite de Ana Luísa Janeira.
Foi uma agradável experiência pois estivemos no campo, com bom tempo e podemos ouvir falar de realidades algo afastadas do nosso quotidiano de citadinos. O tema desta 2ª sessão era Montado e Permacultura.
As notas que fui tomando ao longo da sessão não se destinavam à elaboração de uma acta, nem mesmo de um resumo do nosso dia. Apenas foram palavras, expressões e impressões.
Assim, este nosso “apanhado” não será completo, nem o pretende ser. Apenas servirá para deixar alguma água na boca àqueles que não participaram e promover o continuar do debate entre aqueles que lá estiveram.
MONTADO
Assim, muito naturalmente começamos por ouvir Ana Fonseca explicar o que é o montado – ou la dehesa, como se diz do lado de lá da fronteira…
Visto que o site da Herdade inclui uma explicação pormenorizada do assunto, remeto-vos para o site e deixo-vos entrever o início da explicação …
“O montado é um sistema agro-silvo-pastoril explorado a vários níveis – arbóreo, arbustivo e herbáceo – de acordo com as potencialidades de cada região. O nível arbóreo pode ser constituído por carvalhos como o sobreiro (Quercus suber), a azinheira (Q. rotundifolia) e mais raramente o carvalho negral (Q. pyrenaica) e o carvalho cerquinho (Q. faginea), em povoamentos puros ou mistos com uma densidade variável. O sub-coberto é ocupado por pastagens aproveitadas pelo gado ou é cultivado com culturas arvenses de sequeiro num sistema de rotação. As pastagens naturais podem ser ocupadas por matos, em maior ou menor proporção.
O Homem é parte integrante e fundamental deste ecossistema. Foi através da sua acção arroteadora que foram sendo criados os montados, desde que começou a intervir no meio natural que o rodeava.”
http://www.herdadedofreixodomeio.com/index.asp?flintro=off&lang=&art=10036&menu=7873
Ouvimos depois o Alfredo Cunhal Sendim falar de permacultura.
PERMACULTURA
Apresentou-nos o conceito, a filosofia subjacente, outras ideias que floresceram quase em simultâneo.
A permacultura, enquanto palavra, deriva da compactação das palavras “agricultura” e “permanente”. Sendo o conhecimento tradicional e a tecnologia actual as bases mais indicadas para permitir assentamentos humanos duradoiros.
A ética da permacultura assenta assim na pessoa, na ideia de responsabilidade individual pelo que vai acontecendo no mundo, contrariando a tendência actual de desresponsabilização do homem enquanto agente solitário que nada pode “contra os outros ou contra o mundo”.
Assenta também na observação e na interpretação do que ocorre em lugar da invenção.
Há que perceber os ciclos e padrões presentes na Natureza para encontrar as regras da Permacultura.
Na espiral da permacultura estão presentes a terra e a natureza, a construção, a tecnologia, a educação e cultura, a saúde, a economia e a auto-gestão.
Através desta flor-espiral pode compreender-se que a reforma será preferível à revolução.
Para leigos, a abordagem parece respeitar a ecologia, indo mais longe pois abrange todas as acções do indivíduo, obrigando a um calibrar constante das acções humanas com as adaptações da Natureza. É uma abordagem prudente. pois considera que todos os elementos deverão ser multifuncionais. Esta diversidade de utilizações permitirá maior eficiência, ou seja uma utilização mais eficaz dos recursos.
Visto que uma imagem vale mil palavras, remeto-vos para o site da Herdade para que possam “ver” a permacultura em acção.
http://www.herdadedofreixodomeio.com/index.asp?flintro=off&lang=&art=19216&menu=9703
Seguiu-se um merecido e delicioso almoço, um cozido à portuguesa saboreado à sombra dos plátanos.
A TARDE…
A tarde foi dividida em 3 fases:
- uma apresentação, por Nádia Valente, de uma solução arquitectónica para reaproveitamento do Monte da Maceira, respeitando a filosofia do Monte do Freixo;
- uma troca de impressões acerca da dupla “montado” e “permacultura” sob a batuta de Raquel Sousa
- uma passeio pelo Monte, para ver e perceber algumas das soluções que tinham sido referidas.
Assim, observamos a espiral aromática, o jardim do monte nuclear, as estufas, os reservatórios de água, os captores solares, o frito diesel, a vermicompostagem e as casas de banho secas. Pudemos assim perceber melhor a interacção e o melhor aproveitamento dos recursos daí decorrente.
Um exemplo: Os leitões no Inverno são colocados nas estufas, que têm ainda o resto das plantas que teriam de ser arrancadas. Assim, poupa-se no aquecimento dos leitões e na mão-de-obra necessária à preparação da estufa para a cultura seguinte.
reflectindo…
A minha (de)formação académica e o meu percurso profissional levam-me sempre a olhar para o mundo como um todo com interacções.
Assim, a “permacultura” enquanto tentativa de voltar a um mundo que se perpetue (ou perdure) parece-me pouco “alheia”.
A economia, tal como a ecologia, serão ferramentas úteis neste contexto.
Claro que não se poderá olhar para a economia como contabilidade pura…que levará ao lucro, esquecendo a interacção entre homem, meio e natureza.
Terá de ser visto, na área teórica que se debruça sobre as externalidades. Estas são as tais multifuncionalidades de que falou o Alfredo, mas que apesar de abrangidas pela teoria, são dificilmente contabilizáveis na prática.
O montado como microcosmos da permacultura
O montado pode ser visto como um meio em que as noções de permacultura terão sido aplicadas antes do advento desta…
Integrando a presença do Homem, necessário à manutenção dos vários elementos mas sem se sobrepor aos elementos naturais presentes. (animais, árvores, arbustos…), o montado teve no passado uma sustentação sem um impacto nocivo.
O retomar do montado, num contexto de permacultura, fará todo o sentido, respeitando-se o meio natural, adaptando-o quando necessário, usando tecnologias modernas sem impor uma utilização intensivo ou excessiva de um dado recurso.
A permacultura em acção no montado
O desafio será conseguir continuar a utilizar soluções adequadas à Herdade (energia solar, aproveitamento de águas pluviais) que permitam uma comercialização viável dos produtos aí produzidos e transformados mas sem cair em excessos.
A permacultura em acção
Parece-me redutor apresentar a permacultura enquanto filosofia ou ética de vida começando por um elemento em minha opinião marginal – a casa de banho seca.
Obviamente a casa de banho seca torna-se importante no contexto de uma exploração agrícola no Alentejo, pois permite abarcar as questões da água e dos efluentes. No entanto, impor esta possibilidade ou solução como baluarte de uma filosofia causará maior estranheza ou mesmo rejeição.
PARTE 2
Num registo mais emocional acrescentaria as impressões que tive a visita.
Chegámos pela manhã, de um dia que se adivinhava quente. Na procura de uma sombra para o automóvel, tomámos contacto com a primeira contribuição da lógica de Permacultura que iríamos contactar durante quase todo o dia. Estacionamos por baixo de um alpendre em construção. Imaginando o futuro, a armação de madeira (feita exclusivamente com madeiras extraídas da própria exploração) que abriga os automóveis enquadra as diversas plantações que a irão cobrir e abrigar os automóveis que aí sejam estacionados. Vinhas e trepadeiras de fruto deverão dar uvas e frutos vermelhos.
Toda a manhã e parte da tarde foram passadas na pequena escola que servia o monte e a herdade, onde a maior parte da informação foi passada. Tomamos contacto com os primeiros problemas que iríamos abordar. Como poupar energia com o arrefecimento das habitações, como defendermos a nossa vida dos extremos do clima alentejano.
A verdade é que a manhã passou, e a fome veio cortar a sessão de trabalho. Junto do lago, um convés de madeira, debaixo de 4 grandes plátanos refrescou os presentes durante a refeição, cozinhada em potes de barro sobre fogueira, com morangos biológicos de entrada (havia mais outra fruta, mas esqueço-me qual era, pois os morangos fizeram-me esquece-la, e lembrar-me por que razão tanto gosto daquela fruta, que tão incaracterística nos vem sabendo nos últimos anos). A frescura do vento e da água relaxou-nos, o cozido à portuguesa saciou-nos a fome, e o calor, tornado aconchegante pela sombra e frescura da aragem, suavizou e amoleceu a conversa, num aconchego pós-repasto. AH! Já me esquecia: – a sobremesa foi mais morangos.
A apresentação da restante informação decorreu veloz, após o tempo roubado pela refeição e convívio. A visita à zona construída da herdade seguiu-se em bom ritmo. O entusiasmo por alguns recantos das culturas, das formas e pelo sonho de um lago em equilíbrio, já começado mas ainda em processo de equilíbrio com o restante jardim foi forte. Finda-se um dia de calor, que seguramente deixou o montado já depois de nós, apesar da demora das despedidas, como que não quer ir embora.
Como conclusões, parece-me uma nova visão que enriquece a realidade. Há uma forte vontade de corresponder aos desafios que o nosso planeta nos coloca, fruto da nossa intervenção destemperada. As soluções apresentadas são mais estáveis e equilibradas. Falta, no entanto, equilibrar as expectativas com estudos abrangentes. A inversão da pirâmide de valores, da que rege a sociedade actual para uma mais sustentável precisa ser pensada e preparada. Esta hierarquização irá ditar a importância quais os objectivos que virão a ser considerados prioritários, e a revolução energética que se adivinha virá, sem dúvida, alterar grandemente a visão de como iremos sustentar o nosso nível de vida. As respostas à questão energética dado pelo montado poderá ser importante, mas igualmente importante será a importância na conservação dos solos, utilização da água (considerado o recurso deste século) e diversidade biológica. A aposta na produção de energia eléctrica por via de transformação da radiação solar é claramente uma opção adoptada no mundo, e especialmente no montado.
Iremos nós conseguir um equilíbrio que nos mantenha vivos? Esperemos que sim, ma para isso é preciso agir, e já. Para terminar, a Permacultura assume a necessidade do indivíduo assumir a sua responsabilidade, de forma educada e consequente. Precisamos educar-nos rapidamente. Tendo em conta o tempo que demora fazê-lo a sociedades inteiras, não seria importante começarmos já?
Pedro Pacheco
Economista e Gestor de Empresas.
Extractos do livro Subericultura de J. Vieira Natividade disponíveis na página “mesa interdisciplinar”
No dia 17 de Janeiro, teve lugar, na herdade do Freixo do Meio, o workshop Pensar Montado que visava, de acordo com a informação divulgada no blog “NaturaMeio”, “(…) ser um trabalho conjunto com o fim de obter uma síntese de “atitudes” de quem criou e geriu este agro-eco-sistema, até à era industrial. O objectivo é levantar as premissas básicas deste sistema, por forma a conhecer melhor a sua essência, os seus pilares. A bondade deste exercício prende-se com o desconhecimento do mesmo e com a sua possível actualidade numa época que evidencia necessidade de mudança.”
A Programação dos trabalhos foi a que se segue:
09H30 – Recepção dos participantes
10H00 – Caracterização histórica do Montado (Ana Fonseca )
10H15 – O Montado como exemplo de Eco-eficiência (Alfredo Cunhal Sendim)
10H30 – Multifuncionalidade da Paisagem do Montado (Teresa Pinto Correia)
10H45 – Debate
11H30 – Visita ao Montado do Freixo do Meio
13H00 – Almoço
15H00 – Trabalho conjunto com vista ao levantamento das premissas básicas da construção do Agro-eco-sistema do Montado (Todos os participantes)
17H00 – Apresentação das conclusões
A divulgação do workshop foi efectuada através do blog
naturameio.wordpress.com
As inscrições eram gratuitas e deviam ser efectuadas para montado.freixo@gmail.com
Bem cedo começaram a chegar os participantes acolhidos pelo café da manhã enquanto se preparavam as apresentações em Power Point e o projector.
Após uma introdução do Alfredo seguiram-se as apresentações previstas que constituíram visões diferentes e complementares do montado. A caracterização histórica constituiu uma novidade ao apresentar um quadro de como e quando este sistema se terá desenvolvido e quais os factores que estiveram envolvidos. Já a segunda apresentação visou demonstrar a elevada eco-eficiência deste sistema quando bem gerido, servindo de exemplo para a gestão eco-eficiente de outros sistemas. Por fim, a última apresentação abordou o tipo de montado que os diferentes utentes preferem quando utilizam este sistema para desenvolver diferentes actividades.
Após as apresentações dos oradores fomos visitar o montado do Freixo do Meio, observando ao vivo muitas das coisas que tinham sido ditas nas apresentações orais.
O dia esteve excelente propiciando por isso um passeio muito agradável em que os participantes tiveram oportunidade de observar diferentes tipos de montado, desde o mais florestal ao mais intervencionado.
O almoço decorreu num dos restaurantes dos Foros de Vale Figueira e consistiu em produtos da herdade do Freixo do Meio que foram bastante apreciados e este momento constituiu, como é habitual nestas ocasiões, uma ocasião excelente para estabelecer contactos e conviver.
A parte da tarde foi preenchida com uma Post-It session coordenada pela engenheira Isabel Loupa Ramos. Esta é uma técnica inovadora de captação de ideias que exige, para que corra bem e se obtenham resultados que estejam definidas antecipadamente um pequeno conjunto de questões, das quais se escolhe depois uma ou duas, e que devem ser as questões a que as pessoas devem reagir nos post-it que lhes são dados. As questões devem ser *ABRANGENTES mas ao mesmo tempo CONCRETAS*, para que as pessoas percebam bem o que se pretende delas, mas ao mesmo tempo possam expressar opiniões diversas.
O papel dos participantes consistia, perante uma questão e munidos de um bloco de post-its amarelos, em ir escrevendo palavras ou ideias que nos viessem imediatamente à cabeça e ir colando sobre uma enorme folha de papel afixada na parede.
A questão sobre a qual deveríamos pensar foi:
“Quais são as condições que devem ser respeitadas na criação/manutenção do montado?”
Logo cada um começou a escrever as ideias que iam surgindo e o papel branco de cenário encheu-se rapidamente de post-its amarelos. A Isabel Ramos foi então ordenando os post-its segundo diferentes temas e criou, desta forma, os seguintes grupos:
Tempo – era o grupo maior e incluía expressões como sustentabilidade, equilíbrio, perpetuidade, permanência, respeito, cuidado,
Multifuncionalidade – um grupo que incluía expressões como diversidade, multifuncionalidade, variedade, novas funções, integração,
Espaço – um grupo que incluía expressões como adaptabilidade ao meio, bem-estar animal, homem como parte integrante da natureza, respeito pelo encabeçamento animal adequado, pastagem, equilibrar a natureza ao uso humano
Regulação/Políticas – com apenas duas expressões: globalização e regulação,
Inovação – com também apenas duas expressões: inovação e inovar sem estragar,
Recursos naturais – onde se nomearam os diferentes recursos disponibilizados pelo montado: clima, solos, biodiversidade, raças autóctones, mobilização animal do solo, manutenção dos ecossistemas existentes, água, manutenção das condições edáficas, preservação dos sobreiros e azinheiras,
Produção eficiente – onde se nomearam expressões como: produção, desenvolvimento, economia=ecologia, eco-rentabilidade, eficiência, dinamismo, modelo de gestão por objectivos, diferenciação, rendimentos estáveis,
Conhecimento/Saberes – com expressões como: contos, lendas, arte, cultura, práticas tradicionais, paisagem, história, saber popular, diversidade e identidade paisagística, simbolismo, escape, educação, consciencialização, canções do campo (música e dança),
Função social – com expressões como: novas gentes, integrar os habitantes/a população, acesso à propriedade pela população, estruturante social, manutenção das populações locais, função social, humanizado.
Depois desta fase de atribuição de expressões foram dadas, a cada participante, um conjunto de bolinhas verdes e vermelhas que cada participante deveria colocar dentro de cada grupo conforme uma pontuação ou peso que desejasse dar a cada grupo como condição a ser respeitada na criação (bolas verdes)/manutenção (bolas vermelhas) do montado.
Após efectuado o trabalho o grupo atribuiu, como condições que deverão ter estado presentes aquando da criação do montado, (por ordem decrescente de importância):
1º – Função social: Responder às necessidades sociais
2º – Recursos Naturais: Utilização equilibrada dos recursos naturais
2º – Tempo: Consonância com os ciclos numa lógica de permanência
2º – Produção eficiente: Optimização na utilização dos recursos
3º – Multifuncionalidade: Coexistência de funções no espaço e no tempo
4º – Espaço: Coexistência equilibrada do homem na paisagem
5º – Conhecimento e saberes: Actuação baseada no conhecimento acumulado
6º – Inovação: Ponte entre a criação e a manutenção
Já as condições apontadas que deverão, segundo os participantes, estar presentes na manutenção do montado são (por ordem decrescente de importância):
1º – Multifuncionalidade: Coexistência de funções no espaço e no tempo, mais e diferentes funções
1º – Espaço: Coexistência equilibrada do homem na paisagem, novos equilíbrios
1º – Produção eficiente: Optimização na utilização dos recursos, entre o local e o global
2º – Tempo – Consonância com os ciclos numa lógica de permanência e num paradigma de sustentabilidade
2º – Recursos naturais – Utilização equilibrada e criativa dos recursos naturais
3º Conhecimento e saberes – Actuação baseada no conhecimento acumulado, reutilização dos saberes tradicionais
4º – Função social: Responder às necessidades sociais e a novas aspirações sociais
5º – Inovação: Projecção para o futuro através de novas tecnologias e modelos de gestão
Todo este trabalho implicou uma ampla discussão entre todos os participantes sobre o montado, reunindo diferentes pontos de vista e abordagens a este sistema.
Esperamos ter colaborado, deste modo, para uma visão renovada sobre este ecossistema, alertando para o potencial que sempre apresentou e ainda hoje revela, mesmo perante as novas exigências e funções que lhe são atribuídas.
Ana Fonseca
assessora da Herdade do Freixo do Meio






















