Extractos do livro Subericultura de J. Vieira Natividade disponíveis na página “mesa interdisciplinar”
No dia 17 de Janeiro, teve lugar, na herdade do Freixo do Meio, o workshop Pensar Montado que visava, de acordo com a informação divulgada no blog “NaturaMeio”, “(…) ser um trabalho conjunto com o fim de obter uma síntese de “atitudes” de quem criou e geriu este agro-eco-sistema, até à era industrial. O objectivo é levantar as premissas básicas deste sistema, por forma a conhecer melhor a sua essência, os seus pilares. A bondade deste exercício prende-se com o desconhecimento do mesmo e com a sua possível actualidade numa época que evidencia necessidade de mudança.”
A Programação dos trabalhos foi a que se segue:
09H30 – Recepção dos participantes
10H00 – Caracterização histórica do Montado (Ana Fonseca )
10H15 – O Montado como exemplo de Eco-eficiência (Alfredo Cunhal Sendim)
10H30 – Multifuncionalidade da Paisagem do Montado (Teresa Pinto Correia)
10H45 – Debate
11H30 – Visita ao Montado do Freixo do Meio
13H00 – Almoço
15H00 – Trabalho conjunto com vista ao levantamento das premissas básicas da construção do Agro-eco-sistema do Montado (Todos os participantes)
17H00 – Apresentação das conclusões
A divulgação do workshop foi efectuada através do blog
naturameio.wordpress.com
As inscrições eram gratuitas e deviam ser efectuadas para montado.freixo@gmail.com
Bem cedo começaram a chegar os participantes acolhidos pelo café da manhã enquanto se preparavam as apresentações em Power Point e o projector.
Após uma introdução do Alfredo seguiram-se as apresentações previstas que constituíram visões diferentes e complementares do montado. A caracterização histórica constituiu uma novidade ao apresentar um quadro de como e quando este sistema se terá desenvolvido e quais os factores que estiveram envolvidos. Já a segunda apresentação visou demonstrar a elevada eco-eficiência deste sistema quando bem gerido, servindo de exemplo para a gestão eco-eficiente de outros sistemas. Por fim, a última apresentação abordou o tipo de montado que os diferentes utentes preferem quando utilizam este sistema para desenvolver diferentes actividades.
Após as apresentações dos oradores fomos visitar o montado do Freixo do Meio, observando ao vivo muitas das coisas que tinham sido ditas nas apresentações orais.
O dia esteve excelente propiciando por isso um passeio muito agradável em que os participantes tiveram oportunidade de observar diferentes tipos de montado, desde o mais florestal ao mais intervencionado.
O almoço decorreu num dos restaurantes dos Foros de Vale Figueira e consistiu em produtos da herdade do Freixo do Meio que foram bastante apreciados e este momento constituiu, como é habitual nestas ocasiões, uma ocasião excelente para estabelecer contactos e conviver.
A parte da tarde foi preenchida com uma Post-It session coordenada pela engenheira Isabel Loupa Ramos. Esta é uma técnica inovadora de captação de ideias que exige, para que corra bem e se obtenham resultados que estejam definidas antecipadamente um pequeno conjunto de questões, das quais se escolhe depois uma ou duas, e que devem ser as questões a que as pessoas devem reagir nos post-it que lhes são dados. As questões devem ser *ABRANGENTES mas ao mesmo tempo CONCRETAS*, para que as pessoas percebam bem o que se pretende delas, mas ao mesmo tempo possam expressar opiniões diversas.
O papel dos participantes consistia, perante uma questão e munidos de um bloco de post-its amarelos, em ir escrevendo palavras ou ideias que nos viessem imediatamente à cabeça e ir colando sobre uma enorme folha de papel afixada na parede.
A questão sobre a qual deveríamos pensar foi:
“Quais são as condições que devem ser respeitadas na criação/manutenção do montado?”
Logo cada um começou a escrever as ideias que iam surgindo e o papel branco de cenário encheu-se rapidamente de post-its amarelos. A Isabel Ramos foi então ordenando os post-its segundo diferentes temas e criou, desta forma, os seguintes grupos:
Tempo – era o grupo maior e incluía expressões como sustentabilidade, equilíbrio, perpetuidade, permanência, respeito, cuidado,
Multifuncionalidade – um grupo que incluía expressões como diversidade, multifuncionalidade, variedade, novas funções, integração,
Espaço – um grupo que incluía expressões como adaptabilidade ao meio, bem-estar animal, homem como parte integrante da natureza, respeito pelo encabeçamento animal adequado, pastagem, equilibrar a natureza ao uso humano
Regulação/Políticas – com apenas duas expressões: globalização e regulação,
Inovação – com também apenas duas expressões: inovação e inovar sem estragar,
Recursos naturais – onde se nomearam os diferentes recursos disponibilizados pelo montado: clima, solos, biodiversidade, raças autóctones, mobilização animal do solo, manutenção dos ecossistemas existentes, água, manutenção das condições edáficas, preservação dos sobreiros e azinheiras,
Produção eficiente – onde se nomearam expressões como: produção, desenvolvimento, economia=ecologia, eco-rentabilidade, eficiência, dinamismo, modelo de gestão por objectivos, diferenciação, rendimentos estáveis,
Conhecimento/Saberes – com expressões como: contos, lendas, arte, cultura, práticas tradicionais, paisagem, história, saber popular, diversidade e identidade paisagística, simbolismo, escape, educação, consciencialização, canções do campo (música e dança),
Função social – com expressões como: novas gentes, integrar os habitantes/a população, acesso à propriedade pela população, estruturante social, manutenção das populações locais, função social, humanizado.
Depois desta fase de atribuição de expressões foram dadas, a cada participante, um conjunto de bolinhas verdes e vermelhas que cada participante deveria colocar dentro de cada grupo conforme uma pontuação ou peso que desejasse dar a cada grupo como condição a ser respeitada na criação (bolas verdes)/manutenção (bolas vermelhas) do montado.
Após efectuado o trabalho o grupo atribuiu, como condições que deverão ter estado presentes aquando da criação do montado, (por ordem decrescente de importância):
1º – Função social: Responder às necessidades sociais
2º – Recursos Naturais: Utilização equilibrada dos recursos naturais
2º – Tempo: Consonância com os ciclos numa lógica de permanência
2º – Produção eficiente: Optimização na utilização dos recursos
3º – Multifuncionalidade: Coexistência de funções no espaço e no tempo
4º – Espaço: Coexistência equilibrada do homem na paisagem
5º – Conhecimento e saberes: Actuação baseada no conhecimento acumulado
6º – Inovação: Ponte entre a criação e a manutenção
Já as condições apontadas que deverão, segundo os participantes, estar presentes na manutenção do montado são (por ordem decrescente de importância):
1º – Multifuncionalidade: Coexistência de funções no espaço e no tempo, mais e diferentes funções
1º – Espaço: Coexistência equilibrada do homem na paisagem, novos equilíbrios
1º – Produção eficiente: Optimização na utilização dos recursos, entre o local e o global
2º – Tempo – Consonância com os ciclos numa lógica de permanência e num paradigma de sustentabilidade
2º – Recursos naturais – Utilização equilibrada e criativa dos recursos naturais
3º Conhecimento e saberes – Actuação baseada no conhecimento acumulado, reutilização dos saberes tradicionais
4º – Função social: Responder às necessidades sociais e a novas aspirações sociais
5º – Inovação: Projecção para o futuro através de novas tecnologias e modelos de gestão
Todo este trabalho implicou uma ampla discussão entre todos os participantes sobre o montado, reunindo diferentes pontos de vista e abordagens a este sistema.
Esperamos ter colaborado, deste modo, para uma visão renovada sobre este ecossistema, alertando para o potencial que sempre apresentou e ainda hoje revela, mesmo perante as novas exigências e funções que lhe são atribuídas.
Ana Fonseca
assessora da Herdade do Freixo do Meio








