Extractos do livro Subericultura de J. Vieira Natividade“
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Em boa verdade, fomos solícitos e diligentes em aproveitar o que existia; fomos menos pressurosos em acautelar o futuro. A este antepusemos, amiudadas vezes, interesses imediatos, e se tal sacrifício se explica e de certo modo se justifica pelas dificuldades dos tempos que atravessamos, nem por isso deixa de representar copiosa sangria no capital que tão morosamente se constitui.
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Chegou o momento de se abandonar a ilusão de que possuímos uma riqueza inesgotável que espontâneamente se regenera, cresce e multiplica, riqueza que podemos esbanjar como perdulários, sem temor de que alguma vez se veja o fundo á cornucópia milagrosa. Verifica-se, pelo contrário, ser preciso, agora mais do que nunca, prever, poupar, criar e organizar. Prever, para que as surpresas não sobrevenham irremediavelmente e transformem em sombrio desencanto o optimismo que nos tem embalado; poupar, para que se salve da voragem o muito e o bom que ainda possuímos; semear a tempo para se colher a tempo, criar para repôr o que desperdiçámos e acrescentar a herança recebida; organizar, enfim, para defender das vicissitudes do tempo e furtar ao capricho dos fados esta avultosa e prestimosa riqueza.”
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