TRANSIÇÃO PARA A SUSTENTABILIDADE REGIONAL DA AGRICULTURA: CRIE MONTADO

Bom dia Ana Luísa e restantes membros do CRIE,

Obrigada pelo interesse e pelas notícias sobre a reunião de ontem, fico contente de saber que a reunião correu bem e que a próxima será em Maio.

Na reunião de Setembro, onde também esteve presente a Isabel, fiquei de vos enviar uma síntese do nosso relatório e do que vos apresentei nessa reunião. Ainda não tenho a versão final por parte dos gráficos do projeto, portanto envio-a ainda sem o arranjo gráfico, no documento Word anexo, pedindo desculpa pelo atraso. Anexo também o relatório completo. Qualquer comentário ou sugestão é muito bem vinda!

Assim que tenha a versão final da síntese, que será uma espécie de folheto, enviar-vos-ei, como prometido, pois poderá ser útil para divulgação.

Os melhores cumprimentos,

Carla

Transição para a Sustentabilidade Regional da Agricultura: CRIE Montado

Introdução
O CRIE Montado é um grupo informal de empresários agrícolas de pequena dimensão (menos de 15 membros) e teve início em 2008. As suas explorações situam-se em Montemor-o-Novo e Alcácer do Sal, no Alentejo. O grupo adota o conceito de multifuncionalidade ao nível da propriedade como proposto por Jan Huijgen – documentado no livro Versatile farmers e no vídeo Cityside oasis e posto em prática no seu Centro Eemlandhoeve , na Holanda. Reconhecendo as dificuldades de implementação da multifuncionalidade no contexto do regime agrícola setorial existente e a impossibilidade de lhes fazer face isoladamente, a visão e metodologia de Jan Huijgen propõem reforçar explorações agrícolas multifuncionais através da ligação dos seus gestores em redes temáticas locais, por sua vez articuladas a nível nacional e europeu.
O funcionamento do CRIE Montado começou a desacelerar pouco depois de ser iniciado. Este estudo foca os fatores internos e externos que desempenharam um papel neste processo bem como as aprendizagens extraídas do mesmo, conforme identificadas pelos seus membros. De uma forma mais geral, tenta compreender o papel da colaboração entre agricultores nos processos de transição para a sustentabilidade regional da agricultura, no âmbito do Projeto FarmPath.

Funcionamento do CRIE Montado
A colaboração no âmbito do CRIE Montado pretende proporcionar: i) reforço e apoio mútuo entre membros; ii) partilha de informação sobre legislação, processos administrativos, linhas de financiamento e mercados, entre outros; iii) trabalho de equipa na exploração e implementação de diferentes atividades especializadas e setorializadas, que todavia podem coexistir na mesma exploração; e iv) comunicação enquanto grupo de interesse. Assim, o CRIE Montado é uma plataforma dedicada à troca de experiências e a apoiar estratégias multifuncionais (incluindo turismo e recreio, educação, inclusão social e produção e transformação de produtos alimentares de forma sustentável). Estes objetivos são operacionalizados numa base informal em encontros regulares do grupo de empresários agrícolas e em algumas interações com atores regionais, como a Direção Regional de Agricultura, Rede Rural ou Universidade de Évora, por exemplo.
Esta iniciativa teve um período de desaceleramento considerável, o que leva à conclusão de que está numa fase de transição muito inicial. Os fatores que levaram a este desenvolvimento incluem: uma liderança pouco clara e descontínua; dificuldade em implementar uma estrutura não hierárquica e informal; grande heterogeneidade entre os projetos individuais a nível da sua experiência e maturidade; e alguma dispersão geográfica – embora este seja um fator de menor expressão.
Para além destes fatores de ordem interna, fatores externos que levaram a este desenvolvimento prendem-se com: aparente pouca cultura de trabalho coletivo no contexto regional e nacional; instabilidade associada à crise económica de 2007-2008 (início da formação do grupo); elevada carga burocrática sobre qualquer inovação; baixa capacidade financeira de investimento em inovações por parte das empresas agrícolas.
Principais resultados atingidos pelo CRIE Montado
O CRIE Montado possibilitou uma (ainda) curta tentativa de implementação da multifuncionalidade à escala da propriedade. Possibilitou a troca de experiências e de ideias e informação, permitindo a inspiração mútua entre os membros no sentido de abordagens mais ecológicas e humanas, equilibradas, nos seus projetos individuais. Além disso, pôde verificar-se algum aumento da cooperação entre membros a nível das relações comerciais entre si.
Paralelamente, houve um aumento das relações interpessoais, da conexão relacional e da confiança no grupo, o que veio combater a fraca coesão de grupo existente, as diferenças sociais entre membros e uma comunicação assimétrica. É muito importante manter este processo de conhecimento mútuo para o desenvolvimento do grupo.
Finalmente, o grupo contribuiu decisivamente para operacionalizar e introduzir na região uma noção clara e concreta de multifuncionalidade ao nível da propriedade, tentando fazer face, através da colaboração, a um contexto setorializado e de incipiente extensão rural, resultando numa projeção externa considerável tendo em conta a dimensão e duração da experiência do CRIE.

Contribuição para a sustentabilidade regional da agricultura
O CRIE Montado contribui para a sustentabilidade da agricultura ao adotar um racional ambiental no contexto dos seus projetos individuais. Para além disso, e mais importante, também pretende contribuir para uma reinvenção das relações cidade-campo, para uma agricultura mais sustentável, para o desenvolvimento comunitário e para um desenvolvimento territorial mais equilibrado, criativo e humano. No atual contexto de elevados níveis de especialização, competição e de mercados e administração setorializadas, o CRIE Montado ilustra a importância crítica da colaboração nos processos de transição para uma agricultura regional sustentável: A multifuncionalidade exige versatilidade e um nível de conhecimento e know-how em múltiplos setores e atividades ao mesmo tempo, que podem ser melhor enfrentados no âmbito de abordagens colaborativas – que estão no cerne desta iniciativa.

Principais aprendizagens
A experiência do CRIE resultou no reconhecimento da importância de:
– um projeto comum principal que estruture a dinâmica do grupo com uma componente mais prática e aumente o comprometimento dos membros;
– uma liderança clara (crucial);
– estruturação de reuniões e trabalho reforçada;
– um técnico que apoie o processo;
– investimento pelo grupo – partilha de despesas;
– maior homogeneidade no grupo – dimensão económica, interesses, propriedades;
– continuar a dinâmica de grupo iniciada de forma a manter o processo a nível da coesão e confiança acima descrito;
– investir nas relações sociais entre membros, todavia separando trabalho e socialização de forma mais clara;
– maior período de informalidade para definição e consolidação da identidade e projeto comum do grupo antes de se iniciarem contactos formais.

Para além disso, houve aprendizagem a nível da implementação da multifuncionalidade propriamente dita; por exemplo, através do reconhecimento das mais valias de um modelo de gestão por projetos autónomos.
Para mais informações
– Veja o site do Projeto FarmPath: http://www.farmpath.org
– Contate: Carla Gonzalez, Isabel Ramos e Teresa Pinto-Correia, ICAAM / Universidade de Évora. E-mail: cgonzalez@uevora.pt, iar@uevora.pt e mtpc@uevora.pt

‘FarmPath’ (Farming Transitions: Pathways towards regional sustainability of agriculture in Europe) é um projeto de investigação colaborativo de 3 anos financiado pelo European Commission’s Seventh Framework Programme, que decorre de Março de 2011 a Fevereiro de 2014.
Imagens

Montado na região de Montemor-o-Novo, Alentejo, Portugal. Fotografia de Filipe Barroso (Universidade de Évora).

Montado no Alentejo: à esquerda montado mais denso no inverno; à direita montado aberto, no verão. Fotografias de Filipe Barroso (Universidade de Évora).

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