GOSTA DE LER? OFERECEMOS-LHE 5 LIVROS/REVISTAS

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Herdade do Freixo do Meio

2º Encontro do Outono – 10 Novembro de 2013

Casa da Professora

LEITURAS EM TRANSIÇÃO

GOSTA DE LER? OFERECEMOS-LHE 5 LIVROS/REVISTAS

 Os livros/revistas estão caros, aqueles que foram publicados há anos rareiam nas livrarias que optam por albergar sucessos destinados a um esquecimento rápido, e as pessoas, demasiadas, refugiam-se na literatura cor-de-rosa ou jornal desportivo. Há bibliotecas, mas haverá melhor que uma leitura descontraída em casa?

Assim sendo, parece-me importante complementar a iniciativa dos bancos alimentares, através de bancas de alimento para a alma.

Por isso, resolvi sectorizar a minha biblioteca em blocos e entregá-los para oferta, podendo cada um escolher 5 livros/revistas:

Blocos

1 – 200x90x30cm – HFM

2 – 4(250x90x30cm) – CUL, CML

3 – 5(100x90x30cm) – CEM

Instituições e Contactos

HERDADE DO FREIXO DO MEIO (Eng. Alfredo Cunhal Sendim)

CIDADE UNIVERSITÁRIA DE LISBOA (Dra. Margarida Pino)

CENTRO EM MOVIMENTO (Dra. Sofia Neuparth)

GALERIA QUADRUM (Dra. Teresa Bispo, Dr. João Mourão)

A MINHA BIBLIOTECA-ARQUIVO

Montada a partir de 1974 numa estrutura metálica resistente, escolhida porque sempre achei dever dar-lhe condições de crescimento+durabilidade, a minha biblioteca-arquivo continuou até hoje organizada segundo Obras de Referência, História da Filosofia e Disciplinas Filosóficas (modeladas pela sequência curricular da Licenciatura em Filosofia nos anos 60), Ciências Sociais e Humanas, Culturas e Literaturas Portuguesa e Estrangeira, História e Filosofia das Ciências e das Técnicas, Ciências e Técnicas em Portugal, Museus e Museologia. Como não consigo trabalhar em atmosferas a que não dê um toque pessoal e o material de suporte agredia pela frieza, retirei de cartazes (culturais, políticos e outros), recordações de viagens, quadros, coisas&loisas oferecidas/herdadas (aguarelas e óleos, porcelanas e pratas) soluções para tornar o ambiente mais estético e acolhedor. No início, os livros e revistas acompanhavam a máquina de

escrever, com realce para a Olivetti lettera 32 primitiva; muito prática por ser portátil, ela ia presenciando, seguindo e colaborando com estados de alma diversificados, mudanças na percepção da escrita, surpresas no convívio com a acção de escrever e atitudes de persistência: nessa altura, o pensamento esconjurava a folha em branco e o papel resvalava muitas vezes para objecto de tortura; de seguida aumentou a descontracção e o prazer, garantes de uma experiência bem menos sofrida; finalmente, a fluência encantatória das palavras já era requerida de per si. Processo sempre partilhado com a solidariedade de uma instalação sonora (rádio e gira-discos) atenta e quantas vezes conivente. Como consequência, este lugar personalizado passou a adquirir condições para materializar um misto de opções de vida e de horizontes sonhados. Passando a alguns exemplos que falam por si, cabe lembrar quanto estes meios muito específicos de realização avolumavam, sempre que nela se desenhava, e por isso dela se podia aguardar uma forma de contestação real e mítica, em épocas de ditadura e de censura. Daí algum significado na assinatura dos primeiros anos da revista O Tempo e o Modo, como a aquisição de edições ligadas aos católicos progressistas, da Moraes Editora às Éditions du Seuil. Daí romances integrados no Index Librorum Prohibitorum, manifestos proibidos pela PIDE, uma miniatura do Livro Vermelho de Mao Tzé-Tung em mandarim, presente trazido da China, em suma, sinais de rebeldia ou comportamentos assumidos de risco. Como simbolizavam, pela alternativa, sinais de obediência reverente ou de medo interiorizado. Daí a eventualidade expressiva de guardar, ainda, a cópia do pedido dirigido ao Bispo do Porto com a respectiva autorização para ler as Meditations Metaphysiques ou Méditations sur la philosophie première de René Descartes (1596-1654), segundo o aconselhamento feito aos alunos do 1º ano de História e Filosofia por um professor, quando andei por Coimbra, em 1960/61.  Apesar do nacionalismo vigente e do Porto onde me vi crescer manter fidelidade à tradição inglesa, a burguesia retinha certo espírito internacional, por isso procurava munir os filhos de mais uma outra língua que lhe permitisse desenvolver o espirito intelectualmente. Para tais fins, eram usados estratagemas como este: numa altura em que dominava o francês, a par de explicações particulares para iniciação na língua pelos 7 anos, foi-me oferecido, no dia da Primeira Comunhão, o Missel Quotidien Pour Enfants, do celebrado Dom Gaspard Lefebvre OSB, que uma tia comprara aquando de uma ida a França. A dominante francesa fez acumular a presença continuada dos pequenos Que sais-je? em quase todos as prateleiras, porquanto reunia especialistas conceituados para cada assunto, possuía características de sinopse com especial qualidade e era de preço acessível. Na mesma linha e até ao 25 de Abril, eram as idas a Paris que mais serviam para comprar livros: a Vrin (Librairie Philosophique J. Vrin) e a PUF (Presses Universitaires de France), ambas na Place de la Sorbonne, desempenhavam, sem sombra de dúvida, a maior atracção, depois bastante eclipsada pela Fnac. Num país fechado sobre si mesmo, com censura e reduzida tradição filosófica, não surpreende que títulos sobre Filosofia, disciplinas filosóficas e filósofos, fossem na maioria originais em francês e inglês ou traduções, mas também em espanhol: Fondo de Cultura Económica, Mexico DC, Editorial Sudamericana, Buenos Aires, e Editora Aguilar, Madrid. Outro grupo a destacar prende-se com ferramentas e meios para guardar e preservar a informação e documentação: caixas, às vezes de sapatos, cheias de fichas, fotografias, cassetes e diapositivos. Por demais usadas em várias áreas do conhecimento, fichas e ficheiros equivaliam a instrumentos de trabalhos intimidantes para muito aprendiz a investigador. Como não ocorria durante a escolaridade universitária, a consciência sobre como organizar a heurística ou a bibliografia só surgia comummente com a preparação da tese de licenciatura. Por momentos, a normalização revelava-se um grilhão penoso, a mais parecer inimiga congénita da criatividade e da liberdade operativa. Apesar de tudo isso, surpreende-me, ainda hoje, o esmero e o rigor com que consegui manter numerosos, constantes e manuseados ficheiros bibliográficos e temáticos, sempre escritos à mão. Havendo em muitos deles recortes permanentes, retirados da imprensa portuguesa misturada com a estrangeira, como no caso de Le Nouvel Observateur de que fui assinante e leitora compulsiva, e a ocupar uma área muito significativa, destaque para pastas diversificadas sobre: os meus gostos, interesses e responsabilidades como mulher, católica, filósofa e cidadã, e como tal pertencente ao Grupo Autónomo de Mulheres e Liga dos Direitos da Mulher, Acção Católica (JECF+JUCF) e Movimento de Renovação da Arte Religiosa, Comité International Diderot, Comité Michel Foucault, Red de Inter­cam­bios de la Historia y la Epistemo­logia de las Ciencias Químicas e Bioló­gicas, Conselho de Imprensa e Jornadas Internacionais por uma Sociedade Superando as Dominações, gérmen do Fórum Social Mundial; actividade académica e profissional segundo as instituições onde estudei, trabalhei, ensinei e investiguei; percurso inicial da institucionalização do ensino-investigação na área da História e Filosofia das Ciências em Portugal; temas e problemas relacionados com os contextos sociais e as estadas noutros países ao longo dos anos; conjuntos pesados de manuscritos, resumos de leituras, notas preparatórias de aulas ou de artigos, trabalhos escolares de alunos e até meus, desde a época do liceu à universidade. Outro sector importante acolhe materiais audiovisuais: fotografias, vídeos, CDs, sendo relevantes as recolhas sobre as missões jesuíticas junto dos Guarani e Chiquitos, como também por todas as Américas ou a Ásia, a colecção de textos e imagens relativas a laboratórios químicos, jardins botânicos e museus das ciências espalhados pelo mundo. Outro núcleo montado com continuidade reúne a correspondência que mantive com especialistas, principalmente internacionais, a propósito de questões heurísticas, propostas e dúvidas de interpretação relacionadas com as duas teses (licenciatura-Simone Weil, doutoramento-Teilhard de Chardin) ou durante o desenvolvimento de projectos de investigação ulteriores, no âmbito do Centro Interdisciplinar de Ciência, Tenologia e Sociedade da Universidade de Lisboa (CICTSUL). Curioso o tipo de papel e curiosa a nota enviada por Simone de Beauvoir, como resposta a uma carta minha, a propósito da página brilhante que ela dedicara a Simone Weil, em Mémoires d’une jeune fille rangée. Existe finalmente um sector onde conservo um exemplar de todos os títulos de que fui (co)autora, fitas gravadas e vídeos de conferências, entrevistas na rádio ou intervenções televisivas, ocorridas dentro ou fora do país …Assim foi a duração de meio século… Até que a expansão da informática trouxe uma descontinuidade para ficar: primeiro fixo, depois portátil, desde o WordPerfect for Dos ao Windows XP, com disquetes logo depois com pens, o computador começou a entrar neste espaço e na minha vida. E com ele esta realidade passou a ser habitada diferentemente, sem quebrar, todavia, afectos com mais de sessenta anos.

Pode ler-se o texto completo em

http://www.triplov.com/novaserie.revista/ana_luisa_janeira/ana_luisa_janeira/espacos_de_construcao.html

Como os locais têm propositadamente uma natureza diversa, poderá ser interessante montar uma investigação (ex. monografia de mestrado dirigida pela Dra. Margarida Pino) sobre as escolhas, pelo que cada um deixará por escrito alguns dados: local da banca, idade, sexo, escolaridade, títulos.

Novembro 2013

Ana Luísa Janeira (Professora aposentada da FCUL) aljaneira@sapo.pt

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