ECOS DE PORTO ALEGRE

Como é bom sentir o efeito-amizade vindo de longe e tocando o essencial.
Aqui fica ele, irresistível no seu alcance:
Muito querida Ana Luísa
Recebo com muito prazer sua msg, e leio com curiosidade e interesse a Revista TriploV em sua homenagem. Seu texto sobre os espaços de construção intelectual, autobriográfico e ao mesmo tempo interessantíssimo por suas variações e problematizações me trouxe mais admiração por você e por suas qualidade de pensamento e de sua sensibilidade. Trata-se da ocasião de o sentirmos como um legado de um modo de viver e estudar e produzir, de um testemunho emitido desde uma vida voltada à pesquisa sempre concernente a interesses que não se distanciaram de uma filosofia de vida e de pensamento. Quero dizer-te que foi a mais bela peça que pude ler, escrita por  você, aliada, sem que me esqueça, da brilhante conferência de 2010, feita na Unisino, que tive o prazer de assistir com o Alessandro. Isso também serviu-me para que contasse os anos em que já não nos vemos pessoalmente e também para acompanhar os novos caminhos que traças junto às comunidades intelectual e de produção de Portugal e da herdade em que ocupas a lindinha Casa da Professora. Um lugar no mundo cheio de especial cuidado de trocas, delicadezas e sobretudo, plantado no seio de um modo de produção auto-sustentável e ecologicamente correto aos dias tão sombrios de nosso capitalismo selvagem.
Envio a você o meu saudoso abraço e gostaria que recebesse também o meu orgulho de ter podido usufruir de sua grande companhia, que imagino como uma árvore frondosa que estende seus braços e frutos àqueles que ao invés do sossego das rotinas, encontram no desassossego do pensamento, também um modo de viver que, ao invés de cansativo, triste e enfileirado, entende que o valor da comunhão dos espíritos que em suas diferenças, compõem o povo que ocupa o deserto da sede do conhecer-sentir.
Um gd abç, tgf 
Porto Alegre, 6.11.2013
Querida amiga Ana Luisa: agradeço teu retorno o o novo link, onde posso tomar conhecimento extenso da Herdade. Em verdade, quero ainda dizer-te que lembro com grande saudade de tuas casas em Portugal: o apto. de Lisboa e a casinha portuguesa em Montemor, rodeada e imiscuida entre plantas e animaizinhos, com alecrim à porta, ao longe aquelas lindas corticeiras, no plano onde muitas vacas anunciavam com seus guizos graves a andança em direção à noite de descanso. De Montemor, ainda tenho em mim, os ermos da estrada à frente do monte, por onde eu colhia lindas flores para colocar em teu vaso da sala. Refiro-me a uma memória sensitiva, com os cães da Sra. Maria vindo acompanhar-me pela estrada, eu que sempre temi cães, encontrava neles uma companhia para aquela estrada tão rude, estranha e quieta. de teu aprtamento em Lisboa, dou-me conta aqgora que o transformaste em um pequeno museu de tuas coleções de viagens e de estudos. Faltou referires em teu brilhante texto da TriploV  a presença do rádio que se encontrava no armário perto à porta de entrada do escritório, como um emissor do som clássico à toda casa. Eu adorei tudo o que se passou e, talvez, ao modo de Proust, tenho aquela minha estada em seus domícilios como uma das mais intensas experiência que vivi, da qual, ainda certamente eu terei muito a pensar e a dizer, já que quando vivemos a vida, em sua imediatez, não temos o distanciamento próprio à reflexão que vem, somente a seguir, no distanciamento das reminiscências marcantes. É verdade que o passado que guardo de você e de tudo o que proporcionou já se tornou minha vivência e a transmissáo posterior do mesmo vem marcada somente  sob minha responsabilidade, a qual, entretanto, apazigua nossos corações e é ressonante dos tons puros do afeto que uniu e que ainda nos une.
O atual legado e a provável dispersão de sua biblioteca a tantas mãos que receberão os pacotes, refere-se, ainda, àquilo que uma vida como a sua foi feita entre amigos e no compartilhamente. O dom de de uma mulher professora que distribui, abre as mãos com generosidade e que, ao invès de se sentir empobrecida pela perda de suas posses, ainda assim transforma seu gesto em intensificação do gesto de dar, um pouco a cada um, um pouco de si a qualquer um que, não sendo filho ou parente de sangue, se vê  tomado polo acolhimento do inconfessável carinho que nutres para tornar o mundo que é teu, como uma incessante comunidade por vir.
Estou em um momento de vida em que meu corpo não obedece tanto à minha vontade. Algo em mim me estaciona em meus atuais lugares e sinto-me um tanto arrestada aos mesmos. Isso não quer dizer que tenha desistido de viajar. Agopra, minhas viagens são imóveis, faço-as frequentemente e as mantenho em alta intensidade com meus amigos autores, com minha pesquisa que me coordena o desejo, com novas descobretas desse mundo maravilhoso do estudo e da escrita doqual sempre concluo pelo elogio aos homens ao invés de destruir-lhes pelas já conhecidas malícias e maus-quereres. Ando feliz desse modo, acomodado no que posso, nesse momento, não se trata de uma possível doença de estagnação, apenas de ainda ficar , em meu lugar, que ainda tanto desconheço e que para sempre me será inalcançável.
Agradeço o convite que vc me faz, sinto que ele vem de seu coração, e quem sabe, seria a patir da memória que agora passaremos a manter nossa história do presente.
Enviando-lhe o meu sincero abraço, desculpo-me pelos eventuais erros de minha digitação que não passa por minha revisão, pois logo clico no enviar, na pressa para faze-la chegar ainda quente de meus dedos, tgf
Porto Alegre, 8.11.2013
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