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OUTONO NO FREIXO

Sim,  já se sentem sinais de que o Outono está aí.

Que venha com a sua aura misteriosa de dourados e castanhos.

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Novamente na HFM.

Voltei ao Alentejo na sexta passada. Com saudades.

Como acontece frequentemente, depois do almoço, impôs-se a sesta. Tempo que permitiu rever momentos fortes de mais de 10 anos ligados à Herdade do Freixo do Meio, com quase 5 anos de uma semana mensal de voluntariado.

Sensação boa a de me sentir dentro deste projecto com futuro.

Sensação renovada ao longo do dia de ontem, em que a << bolota foi aqui rainha>>. Justíssima a homenagem, por suas qualidades alimentícias e por corresponder a uma “filosofia de proximidade”, tão necessária quanto útil.

2015 in review

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2014 IN REVIEW

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UM PROJECTO INOVADOR E SOLIDÁRIO

Há mais de trinta anos que eu não tinha visitado o Alentejo. Este ano, a convite da minha amiga Ana Luísa Janeira fiz uma magnífica viagem a uma das regiões mais bonitas e emblemáticas de Portugal, mais precisamente à Herdade do Freixo do Meio, situada a uma dezena de quilómetros da simpática e dinâmica cidade de Montemor-o-Novo.

Após termos deixado Lisboa, chegámos ao Freixo, lugar que eu já conhecia por ter ouvido tanto falar pelas minhas duas companheiras, Ana Luísa e Estela. Mas na verdade as coisas são sempre diferentes quando são vistas com os nossos próprios olhos, e assim foi…

A Casa da Professora onde nos instalámos foi um lugar muito especial para mim sendo ali onde viveram as diferentes professoras que alfabetizaram centenas de crianças dos trabalhadores da herdade até aos fins dos anos de 90. Outra recordação da minha antiga vida como animadora de alfabetização junto de centenas de emigrantes portugueses no Canadá…

A paisagem de sobreiros, azinheiras e oliveiras é deslumbrante, e contrasta com a da minha região do Alto Milho. Aqui, os nossos olhos não esbarram com as fronteiras naturais dos montes nem dos socalcos, a sensação é ainda mais forte que estar a contemplar o mar. As sombras das árvores fazem-nos sentir que estamos em terra firme e que temos companhia….

A segunda coisa que me chamou atenção, foi o círculo de púcaros de barro que me lembrou as rodas da minha infância, onde de mãos dadas nos divertíamos e sentíamos o calor e a amizade dos amigos.

Após as malas e as compras arrumadas, desloquei-me ao edifício da antiga Escola, hoje servindo de refeitório e de lugar de encontro dos voluntários do projecto e dos trabalhadores efectivos da herdade. A minha surpresa foi total, neste sítio descobri uma mini sociedade multicultural tal como a da grande metrópole onde vivo há cerca de cinquenta anos, a cidade de Montréal. Autêntica Torre de Babel, onde as relações interculturais e intergerações se constroem constantemente e onde podemos sentir algo cada vez mais raro neste Portugal em crise, a partilha e a alegria do trabalho do campo.

No dia seguinte levantamo-nos cedo e a convite da Estela fui descobrir o resto da herdade. A poucos metros abaixo do refeitório estavam os voluntários, os trabalhadores efetivos e o chefe de orquestra do projecto, o Sr. Eng. Alfredo Cunhal Sendim. Formavam outro círculo e discutiam as tarefas do dia, outra imagem que me lembrou a minha juventude, época onde acreditávamos no poder popular.

Depois de cada pessoa se ter dirigido às suas tarefas, fomos caminhando pelo campo à descoberta das várias facetas do projecto: cultivo de legumes, criação de perus, porcos, cabras, cavalos, fabrico de pão de bolota e transformação destes produtos, tudo isto com uma perspectiva sustentável e respeitadora da mãe natureza, enfim o que chamamos agricultura orgânica ou biológica.

Como não podia deixar de ser, pus mãos à obra logo que entrei noutro edifício onde um grupo de senhoras lavavam e transformavam os legumes para no dia seguinte seguirem para a loja da herdade em Lisboa, no Mercado da Ribeira. Aí, trabalha uma jovem que vende os produtos e também faz um trabalho educativo junto dos fregueses.

Já era quase meio-dia, e estávamos com fome, fomos até ao refeitório onde nos esperava uma refeição meia vegetariana, confecionada por uma das duas cozinheiras. Foi aí que conheci de mais perto, algumas das pessoas com quem criei laços fraternos durante os oitos dias da minha passagem pelo Freixo.

Os dias seguintes foram como os anteriores, momentos de encontros singulares relativos aos projectos pessoais. Mediante um acordo e sempre na perspectiva de uma agricultura biológica e sustentável, o engenheiro Alfredo cede uma parcela de terreno para que se possam desenvolver de maneira autónoma algumas iniciativas. Dando assim, a possibilidade de criar um empreendorismo comunitário e proporcionar uma melhor qualidade de vida a gentes que acreditam que, ainda é possível viver dignamente, no país que os viu nascer sem recorrer à emigração.

As iniciativas são diversas e vão da criação de galináceos, ervas aromáticas, pomar de árvores de fruta, aulas de equitação a uma pequena empresa de carteiras e bolsas confeccionadas com algumas das matérias-primas da herdade. Elas não só estimulam a criatividade dos indivíduos, como têm uma dimensão de solidariedade social única.

Esta dimensão social de que eu falo, saltou-me ainda mais aos olhos quando no dia antes da nossa partida encontrei duas crianças de 8 anos, que após um dia bem preenchido pelas aulas brincavam no charco das rãs e assistiam às aulas de equitação. No rosto do Filipe e do Valentim li tanta felicidade e liberdade, que dinheiro nenhum compra….Talvez sejam elas, os semeadores da esperança que Portugal precisa….

Esta visita ao Freixo foi de grandes ensinamentos….Quem sabe se para o ano, eu voltarei para conhecer novos rostos e abraçar aqueles que deixei atrás.

Obrigada Eng. Alfredo por ser um agente de mudança e não ceder á tentação de uma economia neo-liberal que está a destruir Portugal

Ponte da Barca

5 de outubro de 2014

Joaquina Pires

ola


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